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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sabor de infância (3)



O bife acebolado de mamãe

Walnize Carvalho

Chegou a vez de contar mais um dos sabores de infância.
E sem pieguice, a começar pelo primeiro alimento que ela nos oferece ( o leite materno) tudo que é preparado pela mãe tem um “gosto de quero mais...”.
E assim é, que na minha memória afetiva, o aroma e o paladar de um simples bife feito por ela era, por assim dizer, o manjar dos deuses .
E era sempre assim , quando retornava faminta da escola já deixando pelo caminho,calçados e pasta escolar: -Mãe! Hoje tem bife de caldinho? E ela,respondia: - Sim!Tire o uniforme! Vá para a mesa! Chame seu pai e suas irmãs!...
E à volta da mesa, a família habitualmente se reunia para um almoço simples, cujo ingrediente maior era a união entre seus membros.

Bife Acebolado

Ingredientes

1 kg de alcatra, alcatra em bifes
3 cebolas, cebolas grandes cortadas em rodelas
5 tomates maduros, sem pele e sementes, em rodelas
2 dentes de alho, alho picados
1 ramo de salsa picado
2 colheres de sopa de óleo
1 folha de louro
1 sal, pimenta do reino a gosto

Preparo:

Adicione óleo numa panela funda. Em seguida, em camadas alternadas, coloque os bifes, as cebolas, os tomates, o alho e a salsa. Corte as folhas de louro .
Coloque uma das partes entre as camadas e a outra por cima. Tempere com sal e pimenta. Regue com um pouco de água. Tampe a panela e cozinhe por 30 minutos em fogo baixo. Destampe a panela e deixe o molho apurar. Sirva em seguida.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

FELIZ ANIVERSÁRIO SABOR & HISTÓRIAS




Após um ano de muitos sabores e muitas histórias, este espaço conta com a minha colaboração singela. Para não fugir à tradição, eis-me a apresentar uma pequena página da minha vida…com SABERES, AROMAS E SABORES DA INFÂNCIA…

Eu nasci em pleno Verão Português do ano de 1969…deram-me o nome de Maria Margarida, em homenagem à trisavó…matriarca de muito mau feitio!
Criança irrequieta, ladina e sempre com uma pergunta a fazer.
Os manos…na foto…!
Eu…de nariz arrebitado, do lado esquerdo, quem olha. Recordo que, tal como ainda hoje, não queria tirar a fotografia. O mano Miguel estava doente e eu, como irmã mandona e já nessa época, cuidadosa com os meus, queria que ele estivesse na cama. A irmã, Graça…sempre disposta, sempre subserviente…sempre sim.
Depois de várias tentativas, o fotógrafo escolheu esta fotografia como a que estaria menos mal…registava-se um momento nas nossas vidas, apenas um momento fugaz já que muitos mais e melhores anos se seguiriam.
A mãe, Helena (bela como a de Tróia!) disse:
- “Se se portarem bem, eu faço um doce!”
- ”Uma mãe não deveria chantagear os filhos assim”, pensei eu!
Momentos depois, sentiu-se um aroma leve…cheira a limão!
A mãe, Helena, chamou os seus filhos…não precisou…já havíamos corrido para a cozinha.
Ficamos a olhar deliciados tão nobre e singela iguaria:
- É o Leite-creme da Mamã! - Dissemos em uníssono.


LEITE-CREME

Ingredientes:
0,5 litros de leite
250 gramas de açúcar
2 colheres de chá, de farinha maizena
1 casca de limão
4 gemas de ovos

Modo de preparação:
Põe-se o leite ao lume com a casca de limão e antes de ferver junta-se a farinha com o açúcar mexendo sempre. Juntam-se as gemas batidas fora do lume para não talharem e vai novamente ao lume até ferver e engrossar. Convém mexer continuamente.
Deita-se numa travessa, deixa-se arrefecer um pouco e polvilha-se com açúcar, depois com uma pá em brasa queima-se.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Natal, a doçura dos momentos compartilhados...


Lendo o texto sobre o Natal da nossa amiga Natália Augusto, fiquei emocionada,saudosa da infância e com um nó na garganta. E fiquei feliz. Feliz porque os Natais da minha infância me fizeram ter uma visão doce da vida,apesar de tantas dificuldades que a vida adulta sempre nos reserva.
E pensando em doçura já vamos anunciando as receitas das delícias natalinas que postaremos por aqui, a montagem (linda por sinal) das imagens é da Maria Margarida Lessa que tem um dom especial de tornar ainda mais belas essas delícias.

Noel...Noel...
Natália Augusto

Há imagens eternas que nos acompanham ao longo de todo o nosso percurso.

São, por vezes, imagens amarelecidas pelo tempo ou com os contornos pouco claros, como se o tempo no-las tivesse envolto numa neblina de anos.

Ainda assim, sempre que a mesma festividade se repete, ano após ano, recuperamo-la do baú das emoções e, na distância dos anos, tudo parece mais encantador e mágico. Não só porque foi diferente, mas também porque, no fundo, tudo muda.

Tenho o prazer de recuar mais uma vez à infância, em França, onde vivi cada Natal com o fascínio com que todas as crianças o vivem.

O meu pai costumava colocar o pinheiro com as bolas, as fitas brilhantes e as luzinhas intermitentes e coloridas no meu quarto. Sob a árvore, que gostava de adquirir, dispúnhamos as figuras do presépio, que a cada ano ia crescendo. Adquiríamos mais figuras para melhor o representarmos.

Colocávamos o pinheiro enfeitado perto de uma janela, bem juntinha à chaminé (havia uma em cada quarto), para que o Menino Jesus depusesse os presentes durante a noite. Eu bem que tentava não adormecer, mas era escusado. E na manhã do dia seguinte, lá estavam os presentes bem embrulhadinhos.

As iguarias que a minha mãe confeccionava para o Natal eram as mesmas que faziam o Natal português, acrescido com outras guloseimas francesas.

Já na altura, alguns dos meus coleguinhas de escola falavam do Pai Natal, das prendas caras, das lautas ceias. Para mim, nada disso tinha importância. O meu Natal era diferente do deles e se o passássemos na aldeia dos meus avós, em Portugal, mais diferente se tornava.

Do que eu gostava mesmo naquele país mais evoluído e com uma economia emergente, era os pinheiros de Natal (reais e em chocolate) iluminados perto das janelas dos habitantes, as decorações natalícias nas ruas, a neve e o frio, e o calor aconchegante uma vez em casa.

Gostava ainda de mirar as vitrines cheias de chocolates, bolos e outros doces, entrar numa dessas pastelarias ou "chocolateries", pela mão do meu pai, e levar imenso tempo a escolher o meu preferido e levar outros para casa. Apesar da espera, o meu pai nunca se zangou comigo.

A minha mãe era mais de ficar em casa, porventura por causa das tarefas domésticas! O meu pai, eu e depois o meu irmão saíamos para fazer compras ou assistir a um ou outro espectáculo de Natal.

Na minha família nunca deixou de se festejar o Natal. Uns foram mais mágicos do que outros.

Em 1992, ano em que faleceu o meu pai, não deixámos de o fazer, embora a sua ausência fosse muito sentida. Mas esta era também uma forma de o manter vivo e connosco, que sempre gostou do Natal.

Não sei se cheguei a ouvi-lo dizer que gostava do Natal, porém era graças a ele que tínhamos, todos os anos, o pinheiro enfeitado, perto da janela, para anunciar o nascimento do Menino Jesus.


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