
Após um ano de muitos sabores e muitas histórias, este espaço conta com a minha colaboração singela. Para não fugir à tradição, eis-me a apresentar uma pequena página da minha vida…com SABERES, AROMAS E SABORES DA INFÂNCIA…
Eu nasci em pleno Verão Português do ano de 1969…deram-me o nome de Maria Margarida, em homenagem à trisavó…matriarca de muito mau feitio!
Criança irrequieta, ladina e sempre com uma pergunta a fazer.
Os manos…na foto…!
Eu…de nariz arrebitado, do lado esquerdo, quem olha. Recordo que, tal como ainda hoje, não queria tirar a fotografia. O mano Miguel estava doente e eu, como irmã mandona e já nessa época, cuidadosa com os meus, queria que ele estivesse na cama. A irmã, Graça…sempre disposta, sempre subserviente…sempre sim.
Depois de várias tentativas, o fotógrafo escolheu esta fotografia como a que estaria menos mal…registava-se um momento nas nossas vidas, apenas um momento fugaz já que muitos mais e melhores anos se seguiriam.
A mãe, Helena (bela como a de Tróia!) disse:
- “Se se portarem bem, eu faço um doce!”
- ”Uma mãe não deveria chantagear os filhos assim”, pensei eu!
Momentos depois, sentiu-se um aroma leve…cheira a limão!
A mãe, Helena, chamou os seus filhos…não precisou…já havíamos corrido para a cozinha.
Ficamos a olhar deliciados tão nobre e singela iguaria:
- É o Leite-creme da Mamã! - Dissemos em uníssono.
LEITE-CREME
Ingredientes:
0,5 litros de leite
250 gramas de açúcar
2 colheres de chá, de farinha maizena
1 casca de limão
4 gemas de ovos
Modo de preparação:
Põe-se o leite ao lume com a casca de limão e antes de ferver junta-se a farinha com o açúcar mexendo sempre. Juntam-se as gemas batidas fora do lume para não talharem e vai novamente ao lume até ferver e engrossar. Convém mexer continuamente.
Deita-se numa travessa, deixa-se arrefecer um pouco e polvilha-se com açúcar, depois com uma pá em brasa queima-se.
