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terça-feira, 10 de março de 2009

Da arte de fritar sardinhas e outras tragédias domésticas


dona de casa1

Hoje tive uma experiência doméstica das mais desagradáveis. Fritar sardinhas.

Acho que a partir de tal fato vou pensar duas vezes antes de falar aos quatro ventos que adoro cozinhar. Na verdade dentre as chamadas ”tarefas do lar” cozinhar sempre foi a única que consegui executar com prazer e,creio, certa habilidade,mas a partir de hoje já não tenho essas certezas.

Salve as cozinheiras de quiosques à beira mar, das tascas, botequins e restaurantes pelo mundo afora, são heroínas engorduradas. Eu saí traumatizada da experiência. Me senti a última das criaturas,com calor,enfumaçada, dinossaura,um ser de outro tempo,de outro planeta,sei lá de onde.

Uma amiga me confidenciou que questiona a chamada “emancipação feminina” já que hoje além de dar conta do trabalho fora de casa ainda tem que desempenhar as tarefas do lar. Não concordo com ela, absolutamente. Meus problemas começam justamente com as tarefas do lar. Tenho que dar conta delas apenas nos fins de semana e não raro surto como hoje. Quanto ao trabalho remunerado, fora de casa, só tenho a agradecer. Acho que enlouqueceria se tivesse que apenas ficar em casa e, portanto, cuidando das chamadas obrigações domésticas (leia-se “de mulher”), sem sair dos muros, sem ganhar a rua.

A grande injustiça hoje é ter o lar como responsabilidade apenas das mulheres. Trabalhamos tanto, e não raro mais, quanto os homens fora de casa e ainda somos consideradas “culpadas” pelo pão que acabou, pela banana que apodreceu pelo suco que não foi feito ou pelos uniformes das crianças que não foram lavados.

Quero saber até quando essa situação vai continuar. Enquanto isso, vamos levando “nossas” tarefas nas costas e ainda sendo obrigadas a ser bonitas,educadas,bem cuidadas, em dia com a moda, boas mães,esposas,filhas,namoradas. E o mundo gira.

Esse texto foi anteriormente publicado no Todos os Sonhos de Abril em 14 de setembro de 2008. Acho que veio bem a calhar pela passagem do Dia Internacional da Mulher e também porque é Quaresma, época de comer peixes. A sardinha é um dos pescados mais baratos.

E a receita? Bom a original é feita com sardinhas fritas, mas fiz uma versão mais prática (poderia chamar de menos traumátioca).

Sardinhas na brasa acompanhadas com batatas

1k de sardinhas limpas

sal grosso

azeite de oliva

azeitonas pretas

cebolas

tomates

orégano

Tempere as sardinhas com sal grosso. Leve-as à churrasqueira com um pouco de azeite.

Grelhe dos dois lados.

Numa travessa grande arrume as sardinhas, cubra com batatas cozidas em rodelas grossas, cebolas, tomates em rodelas ,azeitonas e polvilhe com orégano. Regue tudo com azeite de oliva.


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